Conecte-se Conosco

Negócios

DPSP triplica e-commerce e aposta no futuro de farmácias físicas

Publicado

em

Área interna de uma unidade da Drogaria São Paulo, do grupo DPSP de redes de farmácias (Grupo DPSP/Divulgação)

Dono das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo prevê que, com o desenvolvimento de vacinas e testes de covid-19, farmácias terão maior relevância

Com mais de 1.400 lojas físicas e uma tradição de atendimento presencial, o grupo DPSP estava apenas no início de seu processo de digitalização quando a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil. Nos últimos meses, as vendas pelo comércio eletrônico da rede de farmácias triplicaram.

Mesmo assim, Marcelo Doll, presidente da rede de farmácias, acredita que o futuro do setor está nas lojas físicas, que ganharão novos papéis e ainda mais relevância daqui para a frente. O grupo, que nasceu em 2011 com a fusão das redes Drogaria Pacheco e Drogaria São Paulo, está presente em oito estados do Brasil além do Distrito Federal. No ano passado, o faturamento foi de 10 bilhões de reais.

Mais digital

O setor é historicamente pouco digitalizado e a DPSP iniciou o processo de digitalização há cerca de um ano com investimentos maiores no comércio eletrônico. Nesse período, o aplicativo chegou a 1,5 milhão de downloads e, desde o começo da quarentena, as vendas digitais cresceram 300% e chegaram a cerca de 6% do total.

Outra mudança, acelerada com a pandemia, foi o uso da prescrição eletrônica. No grupo DPSP, a prescrição eletrônica começou a ser testada em um projeto piloto de 30 lojas do grupo. Hoje, todas as unidades já estão aptas a receber essa receita e já foram feitas mais de 20.000 transações.

 

Para o presidente, a digitalização precisa levar em consideração um valor forte no mercado de farmácias: o relacionamento entre cliente e farmacêutico. Mais do que ser um vendedor, o farmacêutico entrega informações sobre saúde e forma uma relação de confiança com o cliente.

Por isso, o comércio eletrônico é mais pessoal. As lojas disponibilizam um número de Whatsapp para que os consumidores conversem com os balconistas e fazem as próprias entregas no bairro em um raio de 500 metros, sem depender de um sistema de logística central. A colombiana Rappi é a parceira do grupo para entregas mais distantes.

Com o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra a covid-19, as farmácias ganharão mais um papel, acredita Doll, de prevenção ao novo coronavírus. Também podem ser usadas para coletar os testes e enviar aos laboratórios, essenciais para a reabertura econômica. “Cuidar da saúde nunca foi tão importante e nosso papel como grupo farmacêutico ganha maior relevância.”

Maior demanda

Doll lidera o grupo de farmácias desde 2016 e antes disso atuou no varejo de moda, na C&A e na Pernambucanas. Na pandemia da gripe suína H1N1, em 2009, estava liderando a C&A no México. “Na ocasião, tivemos uma quarentena mais leve, com o comércio parcialmente fechado. Quando o tsunami do coronavírus chegou ao Brasil, tínhamos um pouco mais de experiência”, diz.

Um dos maiores desafios no início era garantir o abastecimento de itens que, da noite para o dia, passaram a ser mais procurados por consumidores, como remédios para abastecer o estoque caseiro e contra gripe. A DPSP antecipou 30 dias de compras desses itens e sentiu picos de demanda com alta de 30% a 35% nas vendas. Para dar conta, aumentou o número de turnos e estendeu o horário de trabalho e funcionamento das lojas.

Com a pandemia, cerca de 95% das 1.400 lojas do grupo se mantiveram abertas, com a exceção de algumas unidades em shopping centers.

 

Reduzir tempo no balcão

Melhorar a jornada de compra do cliente em todas as plataformas é um dos objetivos do grupo. “A interação com a farmácia tem fricções, o preço que o cliente paga depende da indústria ou do convênio médico, há diversas modalidades de desconto que nem sempre estão claras para o consumidor”, diz Roberto Tamaso, diretor comercial da empresa.

Para diminuir o tempo gasto pelo cliente no balcão, a DPSP criou o programa de relacionamento Viva Saúde, que já tem mais de 20 milhões de clientes ativos. Com a modalidade habilitada, tudo que o consumidor precisa fazer é montar sua cesta de produtos e sistema automaticamente seleciona qual é forma mais vantajosa de pagar. Pelo aplicativo, o cliente também consegue consultar o preço de uma compra usando os benefícios.

O programa foi desenvolvido pela empresa de tecnologia Interplayers. Ela é a responsável por integrar os sistemas de desconto no ponto de venda de cada uma das 1.000 farmácias que estão usando o programa. “Conseguimos conectar as farmácias a outras entidades, como Serasa, Pfizer, Bayer, operadoras de saúde e startups de prescrição eletrônica sem precisar alterar seus sistemas”, explica Natalino Barioni, diretor da Interplayers.

O cadastro é simples, o cliente só precisa informar o CPF e o software se encarrega de buscar a melhor opção de desconto. “Todo o processo é feito de forma rápida, o cliente está menos tolerante para esperar 5 minutos para fazer um cadastro”, afirma Adriano Tavolassi, gerente Digital e Omnichannel da DPSP.

Na ponta, o programa já dá resultados. Desde que começou, há cerca de um ano, o tempo médio para um cliente fechar um pedido no balcão das farmácias da rede caiu de 6 a 8 minutos para 2 ou 3 minutos. “No total, a jornada do cliente na farmácia é de 15 a 20 minutos. Retirar de 4 a 5 minutos no balcão é uma melhora substancial, o cliente pode circular mais pela loja”, diz Tamaso.

Brasil

“Se gastarmos demais, o Brasil quebra de novo”, diz Gustavo Montezano, do BNDES

Publicado

em

Gustavo Montezano, presidente do BNDES (crédito: Agência Brasil)

Para o presidente do BNDES, a Covid-19 realçou o quadro crítico do Estado e a necessidade de buscar a iniciativa privada para injetar recursos em infraestrutura. Ao mesmo tempo, ele destaca o enorme apetite dos investidores domésticos e estrangeiros para financiar essas iniciativas

A necessidade de impulsionar os investimentos em infraestrutura ganhou ainda mais força com a Covid19. Entretanto, o nível de participação dos recursos públicos nesse pacote está longe de um consenso e divide os economistas.

Nesse debate, Gustavo Montezano, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma posição clara. Para ele, o quadro já crítico do Estado foi agravado pelos recursos destinados ao combate da pandemia, o que tornou imprescindível o caminho das privatizações.

“A história já nos ensinou. Se gastarmos demais, o Brasil quebra de novo”, afirmou Montezano em live promovida pela XP na noite desta quinta-feira, 18 de junho. “Não vamos cometer suicídio. Já aprendemos que isso leva à falência.”

Ele observou que não é contra o uso do dinheiro público nessa frente. Mas pontuou que esses recursos devem ser usados em menor grau, apenas como ferramenta para atrair a iniciativa privada.

“As ordens de grandeza entre o potencial do investimento público e privado é grotescamente diferente”, disse Montezano. “É como comparar se você prefere investir R$ 2 bilhões ou R$ 200 bilhões.”

Nesse cenário, Montezano chamou a atenção para a urgência na aprovação do novo marco legal do saneamento. Hoje, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o projeto de lei que trata do tema estará na pauta da próxima semana.

“Esse é um ponto fundamental para dar segurança jurídica e destravar os investimentos”, afirmou o presidente do BNDES. “Temos uma demanda de investidores domésticos e estrangeiros por infraestrutura que tenha aspectos sociais, ambientais e de saúde enorme, como nunca vimos antes.”

Ao frisar que o saneamento é a bandeira principal do BNDES, ele ressaltou que o banco vem atuando como estruturador de projetos de privatização na área. E afirmou que algumas dessas iniciativas já vêm atraindo boa demanda e têm boa perspectiva de serem concretizados ainda nesse ano.

São os casos da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

“Temos demanda, capacitação financeira para modelar esses processos e não faltará crédito de longo prazo do BNDES para o setor”, disse, reforçando a necessidade da aprovação do marco. “Está tudo alinhado. Basta chutar a bola para o gol e acelerar essa agenda.”

Novo programa

Montezano também falou sobre uma nova iniciativa encampada pelo BNDES, prevista para entrar em vigor em julho. Batizado de Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), o recurso será voltado aos pequenos e médios empreendedores.

O programa envolve um fundo garantidor, por meio do qual o governo irá reembolsar os bancos comerciais no caso de inadimplência em empréstimos concedidos às pequenas e médias empresas.

“Para cada real que a instituição perder, o Tesouro vai reembolsar R$ 0,80”, explicou Montezano. “E na carteira total do banco, vai garantir 20% da primeira perda.”

“Temos uma demanda de investidores domésticos e estrangeiros por infraestrutura que tenha aspectos sociais, ambientais e de saúde enorme, como nunca vimos antes”

A princípio, o programa terá início com R$ 20 bilhões. “Mas, dependendo da performance, podemos chegar a R$ 80 bilhões”, disse. Ele acrescentou que a iniciativa envolve um grande desafio tecnológico e operacional para ser colocada em prática e que o BNDES vem conversando com a Febraban, federação que representa os bancos, para fazer esses ajustes.

Montezano respondeu ainda às críticas sobre a ineficiência do governo em fazer chegar os recursos na ponta para os empreendedores. “Não estávamos preparados para esse meteoro, ninguém estava”, disse. “Tivemos que agir rápido e estamos aprendendo.”

Informações: NEOFEED

Continue lendo

Negócios

Como será o futuro das viagens no curto prazo, para o Airbnb

Publicado

em

Ashley Thredgold e Tracey Northcott, anfitriãs no Airbnb (Loulou d'Aki/The New York Times)

No lugar de fazer turismo em outro país, viajantes preferem passar um mês no estado vizinho, segundo a empresa de hospedagem

Depois de semanas ou meses em quarentena, viajantes em todo mundo planejam as próximas férias. Por restrições a movimentação, fronteiras fechadas em alguns países e medidas de isolamento em vigor, as viagens no curto e médio prazo devem ser bem diferentes por conta da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o Airbnb, os viajantes dos Estados Unidos fizeram mais reservas no país entre os dias 17 de maio e 3 de junho do que no mesmo período do ano anterior. O mesmo está acontecendo em países como Alemanha, Portugal, Nova Zelândia e outros. de acordo com uma entrevista dada pelo presidente Brian Chesky para a Bloomberg. Para a empresa de hospedagem, isso significa que as pessoas continuam interessadas em viajar, mas estão planejando passeios dentro do próprio país.

Segundo o executivo, há um aumento nas viagens mais curtas, de até 200 milhas, ou 322 quilômetros, uma distância que pode ser percorrida em um bate-e-volta. Essas reservas próximas aumentaram de um terço do total para mais de metade. Viagens internacionais planejadas estão sendo substituídas por viagens mais impulsivas e para cidades próximas.

A duração das viagens de turismo também mudou. No lugar de um passeio de uma semana para outro país, as pessoas escolhem passar um mês no estado vizinho, disse o executivo na entrevista. O mesmo acontece no Brasil. O número de reservas mais longas (acima de 28 dias) foi 24% maior em março do que no mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais do Airbnb e divulgados por EXAME em abril. A empresa afirma que este tipo de reserva está sendo aceita, no mundo, por 80% dos anfitriões.

O home office também se tornou uma vantagem para a empresa. “Trabalhar de casa está se tornando trabalhar de qualquer casa”, disse Chesky na entrevista. Globalmente, o fluxo de passageiros nas companhias aéreas caiu 95%. Em maio, o Airbnb demitiu 25% de seus funcionários, cerca de 1.900 pessoas, e na ocasião anunciou que as receitas de 2020 cairiam pela metade do que foi faturado em 2019.

A pandemia impactou os planos do Airbnb de abrir capital este ano. Inicialmente, a empresa planejava dar entrada no processo no dia 31 de maio, mas a pandemia atrasou os planos. A plataforma de hospedagens e experiências está avaliada em 31 bilhões de dólares.

Em abril, a empresa levantou 1 bilhão de dólares em uma rodada liderada pelas empresas de capital de risco Silver Lake e Sixth Street Partners. No comunicado oficial, a empresa afirmou que o capital vai ajudá-la a reforçar a relação com seus parceiros, sobretudo os chamados “anfitriões”, que alugam suas casas na plataforma.

O Airbnb já havia anunciado em março um fundo de 250 milhões de dólares para ajudar financeiramente os anfitriões mais frequentes — os chamados superhosts. Com o fundo, os anfitriões recebem de volta 25% do valor da estadia que foi cancelada. Na ocasião, o Airbnb já havia enfatizado as estadias de longo prazo e nas viagens mais próximas de casa.

Continue lendo

Negócios

Fortuna de Jeff Bezos saltou para US$ 150 bilhões com a pandemia

Publicado

em

Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon: empresário possui mais de 55 milhões de ações da empresa (Andrew Harrer/Bloomberg)

De acordo com o índice de bilionários da Bloomberg, o presidente da Amazon ganhou cerca de 35 bilhões de dólares em 2020

O ano de 2020 está sendo bom para Jeff Bezos. O empresário, que é presidente da Amazon, ganhou cerca de 35 bilhões de dólares só nos primeiros cinco meses do ano, segundo o índice de bilionários da Bloomberg.

Sua fortuna agora é de 150 bilhões de dólares e ele mantém o posto de pessoa mais rica do planeta. O segundo colocado, Bill Gates, tem 115 bilhões de dólares.

O patrimônio de Bezos está diretamente relacionado com a alta no preço das ações da Amazon, já que o fundador possui mais de 55 milhões de ações da empresa.

A varejista americana se beneficiou da alta da demanda por e-commerce e seus papéis ultrapassaram a marca de 2.000 dólares durante a pandemia. Na última sexta-feira, 5, terminaram o pregão valendo 2.483 dólares. Nesta segunda-feira, ao meio-dia, valem 2.508 dólares.

Para dar conta da demanda, a empresa contratou cerca de 175.000 trabalhadores temporários nos Estados Unidos. Apesar do sucesso nos negócios, a Amazon vem sendo criticada por seu tratamento aos funcionários dos centros de distribuição durante a pandemia de coronavírus.

Trabalhadores protestaram contra a empresa, dizendo que ela não introduziu proteções de segurança adequadas para seus funcionários e oito deles teriam morrido com por causa da covid-19. Em um armazém nos arredores de Nova York, mais de 30 funcionários foram diagnosticados com a doença.

A empresa alega que está adotando as medidas recomendadas pelas autoridades para garantir a segurança de seus funcionários.

 

Continue lendo

Negócios

“A mobilidade envolve novos modelos de negócios”, diz CEO da Fiat Chrysler

Publicado

em

Antonio Filosa, presidente da Fiat Chrsyler Automobiles: inúmeras possibilidades de negócios (Germano Lüders/Exame)

Em entrevista na série exame.talks, o executivo afirma que a pandemia do coronavírus acelerou processos de transformação na indústria automotiva.05

 

A pandemia do novo coronavírus está acelerando o processo de transformação na indústria automotiva, com mudanças principalmente do lado do consumidor. Para Antonio Filosa, presidente da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) na América Latina, o tema da mobilidade tem se desdobrado em inúmeras oportunidades de negócios.

“Alguns segmentos serão impactados severamente pela pandemia, mas a cadeia de valor do setor automotivo é muito grande, há inúmeras novas possibilidades”, afirmou o executivo em entrevista aos jornalistas João Pedro Caleiro e Gabriela Ruic, na série exame.talks.

Segundo Filosa, o ecossistema do negócio de automóveis é muito amplo e envolve a produção de veículos com uma alta complexidade de processos, vendas e serviços associados, como garantia e seguro, além da possibildiade de aluguel de carros.

“Se quisermos entrar no negócio de aluguel de carros, por exemplo, teremos que dar pequenos passos, pois este segmento é muito amplo.” Ele lembrou, porém, que as locadoras são parceiros importantes da indústria automotiva e devem continuar sendo.

“O profissionalismo das locadoras na gestão de frotas é enorme, com um nível de excelência operacional tão grande quanto das montadoras, e certamente pretendemos manter essa relação próxima”.

As locadoras de veículos são importantes parceiros das montadoras, pois costumam comprar grandes frotas. Historicamente, em momentos de crise, esses volumes de vendas crescem ainda mais.

Novo normal

Filosa acredita que, após a pandemia do coronavírus, haverá o chamado “novo normal”, com os consumidores e as empresas repensando hábitos e, com isso, toda a indústria automotiva deve ser afetada.

Para ele, a adoção mais ampla do home office permitirá que as pessoas morem com mais conforto em localidades mais afastadas dos grandes centros, o que deve reorganizar todo o sistema de transporte público e privado.

“As pessoas podem optar, por exemplo, por comprar um carro grande para a família ou mesmo um modelo de entrada para evitar aglomerações no transporte público. Nós temos todas as opções para oferecer ao consumidor”, diz o executivo.

Além disso, a pandemia alertou para a questão da cadeia de suprimentos global. Diante da paralisação da produção de peças principalmente na China, as fábricas localizadas em outros países do mundo, incluindo o Brasil, sofreram com a falta de componentes.

“Percebemos que, depois da pandemia, há uma tendência de nacionalizar fornecedores e fortalecer a cadeia local, até para se proteger da volatilidade do câmbio. Mas a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias continuará sendo globalizada.”

Fonte: Exame

Continue lendo

Negócios

“É preciso inovar já, porque precisamos pagar as contas”, diz CEO da Rappi

Publicado

em

A Rappi permite a venda e doação de testes de covid-19 por sua plataforma (Germano Lüders/Exame)

Sergio Saraiva, presidente da Rappi, e Gabriel Braga, presidente da QuintoAndar, falam com Pedro Thompson, presidente da EXAME

Os ciclos de inovação estão cada vez mais acelerados. Com a pandemia do novo coronavírus, as empresas precisam se reinventar e criar novos negócios com urgência. “O que mais tem é gente querendo fazer parceria, inovar e fazer novos negócios”, afirma Sergio Saraiva, presidente da Rappi. “Estamos num cenário cada vez mais incerto na retomada, não sei se todo mundo terá a mesma oportunidade de sobrevivência, então é preciso inovar agora, porque precisamos pagar as contas agora”, diz.

Sergio Saraiva, presidente da Rappi, e Gabriel Braga, presidente e fundador da QuintoAndar, conversam com Pedro Thompson, presidente da EXAME, sobre “Capitalismo consciente: o lado humano da pandemia”. A live faz parte da série de entrevistas EXAME Talks, no YouTube.

A Rappi, plataforma de entrega de produtos e serviços, testa novas funcionalidades o tempo todo. Muitas vezes, esses testes têm resultados negativos e podem levar a uma experiência ruim para os usuários, que precisam de um atendimento mais próximo. Um dos testes que não foram adiante, por exemplo, é a função de transporte e mobilidade, lançada em novembro do ano passado. Entre os testes que estão sendo feitos agora, estão a reserva de pré-lançamentos de carros e até de novos modelos de celular pelo aplicativo.

Os testes e seus resultados, com a resposta dos usuários e informações estatísticas, dirigem as decisões da empresa sobre novas funções. “Essa é uma das grandes vantagens de ser uma startup e não podemos perder isso nunca”, diz Saraiva.

Já para Gabriel Braga, da QuintoAndar, os testes de novas funções são essenciais, mas não podem dirigir cegamente as estratégias da empresa. Quando a startup do mercado imobiliário lançou a modalidade de aluguel sem fiador — ao mesmo tempo garantindo o pagamento de aluguel em dia ao proprietário —, a plataforma perdeu dois terços do público.

“Quando inovamos e fazemos algo diferente pela primeira vez, nem sempre o cliente entende”, diz Braga. Nesse momento é essencial ouvir o usuário e entender seus problemas, e o fundador sabia que a necessidade de fiador ou pagamento de seguro era um dos grandes obstáculos no mercado. Assim, manteve a decisão apesar dos testes terem dado outro resultado.

Cultura em crescimento

Testar, errar e inovar não são tarefas para qualquer perfil de funcionário. Por isso, um dos principais desafios de startups e empresas em crescimento acelerado é encontrar as pessoas certas para as vagas. Essa não é uma tarefa fácil quando é preciso contratar dezenas de pessoas por mês.

Na QuintoAndar, a entrevista busca entender qual a motivação do candidato em trabalhar para a empresa. “É muito nítido que muitos passaram por problemas no aluguel e querem ajudar a resolvê-lo de alguma forma”, diz Braga. Segundo ele, entender a motivação e o propósito por trás de cada colaborador ajuda a liderança a ter calma e dar mais autonomia ao time.

Identificar-se com o problema é uma das características de bons colaboradores também na Rappi. “Todo mundo trabalha melhor quando se identifica. Quando não, acaba contaminando mais gente”, diz Saraiva. Manter a comunicação com o time também é essencial. Na Rappi, é feita uma reunião semanal por vídeo em que as diferentes áreas podem apresentar seus projetos e qualquer um pode fazer perguntas.

Ecossistema de colaboração

A Rappi, assim como outras empresas que trabalham com o modelo de plataformas, depende da colaboração de diversas pessoas e parceiros. Saraiva diz que a empresa de entregas já vivia da relação entre usuários, empresas e estabelecimentos que fornecem produtos ou serviços e os entregadores parceiros, que vivem do frete de entrega.

Essa colaboração, diz o presidente da Rappi, ficou mais importante com a pandemia do novo coronavírus e, por isso, a plataforma lançou três novas modalidades. A primeira foi um botão de doação, que permite que os usuários façam doações para organizações e comunidades carentes. Outra foi um botão de denúncia de violência doméstica, em parceria com a organização SOS Justiceiras, pensando em mulheres em risco por causa do isolamento social.

Além disso, a Rappi permite a venda e doação de testes de covid-19, ao lado de um grupo de empresas, de saúde a logística e pagamentos. Os testes são vendidos pela plataforma da Rappi e fazem parte do movimento “#2em2”, já que a cada teste vendido, um será doado para hospitais públicos e filantrópicos na mesma região onde o primeiro teste foi comprado.

A QuintoAndar também buscou garantir a segurança de colaboradores e parceiros, sejam inquilinos, locatários corretores e até fotógrafos. Em todo o mundo, pessoas perderam a renda e poderiam ter dificuldade de pagar o aluguel — e enfrentavam o medo de perder a moradia em um momento em que ela é mais necessária. Por outro lado, muitos proprietários de imóveis dependem da renda do aluguel. Corretores e até fotógrafos dos imóveis também dependem dessa atividade. “Trabalhamos para garantir a renda dessas pessoas nos próximos meses”, diz Braga.

Novos negócios na pandemia

Assim como outras plataformas de entrega, a Rappi cresceu na pandemia e estendeu sua ação para outros setores. Em uma parceria com a empresa de software de gestão de varejo Linx, a colombiana passou a permitir que lojistas de shopping consigam vender mais facilmente seus produtos. A empresa também passou a atuar em saúde, com a venda de testes.

A QuintoAndar também ampliou sua atuação. A startup imobiliária vai ampliar o home office até o final do ano e os colaboradores receberão uma ajuda mensal de custos para cobrir gastos com internet e terão reembolsos de materiais de apoio para o trabalho em casa.

Assim como a Rappi, a startup também criou um projeto para pequenos vendedores. Em uma parceria com a empresa Nuvemshop, passou a oferecer acesso gratuito a uma plataforma de e-commerce para os pequenos empreendedores que estão usando a ferramenta de Classificados da Vizinhança.

Fonte: Exame

 

Continue lendo

Negócios

Índice de Desempenho da Pequena Indústria mostra recuo recorde

Publicado

em

Foto: Shutterstock

O Índice de Desempenho da Pequena Indústria divulgado hoje (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra o impacto da pandemia de covid-19 no segmento. O indicador apresentou reduções de 13 pontos em março e 4,1 pontos em abril, quando o indicador ficou em 27,1 pontos numa escala de 0 a 100. Esse foi o menor índice da história.ebc Índice de Desempenho da Pequena Indústria mostra recuo recorde

Segundo a CNI, a retração foi sentida em todos os setores, com maior ênfase na transformação, com 17,7 pontos negativos e construção, queda de 15,7 pontos. Em menor escala aparece a extrativa, com uma redução de 6,9 pontos.

Nesse cenário, acrescenta a CNI, a situação financeira das pequenas indústrias se deteriorou. O Índice de Situação Financeira da pequena empresa caiu 9,1 pontos, para 32 pontos. O valor é 4,4 pontos abaixo do registrado no 1º trimestre de 2019 e 5,2 pontos abaixo da média histórica do índice.

“A falta de demanda, resultado das restrições impostas ao comércio, do isolamento e da piora da confiança dos consumidores, assumiu a primeira posição no ranking de principais problemas enfrentados pelas pequenas empresas da indústria de transformação”, destaca o relatório. “Como resultado da crise, nota-se, em todos os segmentos, aumento da importância da inadimplência dos clientes entre os principais problemas enfrentados pela pequena indústria. A falta de capital de giro também ganhou importância entre os principais problemas”, completa o documento.

Expectativas

O otimismo registrado no início do ano se deteriorou diante da pandemia de covid-19. Com quedas consecutivas em março (-3,4 pontos), abril (-25,2 pontos) e maio (-0,1 ponto), quando atingiu 34,8 pontos, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atingiu 34,8 pontos no último mês. “A falta de confiança contribui para a paralisação dos investimentos e dificulta a recuperação da atividade econômica”, diz o relatório.

Quadro semelhante pode ser percebido no Índice de Perspectivas da pequena indústria, que recuou 22,2 pontos em abril na comparação com o mês anterior e ficou em 29,2 pontos, menor patamar da série histórica iniciada em novembro de 2013. Em maio, o índice registrou pequena melhora, de 2,5 pontos, para 31,7 pontos. O índice aponta que as perspectivas da pequena indústria seguem pessimistas, 13,7 pontos abaixo da média histórica.

Fonte: Agência Brasil

 

Continue lendo

Negócios

Efeito home office: 4 gráficos que mostram o salto do Zoom na quarentena

Publicado

em

Eric Yuan, presidente da Zoom: ação subiu mais de 150% em 2020 (Carlo Allegri/File Photo/Reuters)

Empresa de videoconferência viu a ação quase triplicar de valor em 2020 com a alta procura pelo serviço diante do isolamento provocado pelo coronavírus

Quando abriu capital no ano passado, a plataforma de videoconferência Zoom já era uma empresa à qual parte do mercado estava atento. Afinal, a companhia fundada em 2011 pelo hoje presidente, Eric Yuan, oferecia um serviço de videochamadas considerado eficiente e, acima de tudo, já dava lucro — algo raro às startups que foram à bolsa em 2019, como Uber, Lyft, Slack, Pinterest e Beyond Meat, que abriram capital dando prejuízo, em maior ou menor grau.

Mas pouca gente conseguiria prever o 2020 que viria para o Zoom. Com a pandemia do novo coronavírus, o serviço se mostrou essencial a uma série de empresas que, da noite para o dia, se viram forçadas a adotar (ou a ampliar) políticas de trabalho remoto.

O potencial deste mercado e o prolongamento da quarentena, que pode ter trazido uma mudança duradoura de hábitos para as empresas, fizeram a ação do Zoom mais que dobrar de valor em 2020. Só no dia anterior ao balanço da empresa, divulgado nesta terça-feira, 2, o papel chegou a valorizar mais de 15%.

A companhia terá desafios pela frente, enquanto concorrentes como Teams, da Microsoft, e Meet, do Google, tentam abocanhar parte do valioso público das videoconferências. O Zoom também virou alvo de polêmicas após falhas de segurança em seu sistema — que a empresa afirma já ter corrigido, conforme reiterou Yuan em entrevista exclusiva à EXAME em abril.

 

Fonte: Exame

Continue lendo

Destaque